RIO - Aproveitando o momento de reflexão para as questões ambientais, motivado pela Rio+20, nada melhor que exercitar o senso crítico e aprender um pouco sobre o tema com diversão. E, nesse ponto, o cinema tem uma vasta contribuição. Mesmo quando ainda se falava pouco, ou quase nada, sobre desenvolvimento sustentável e preservação dos recursos naturais, cineastas, alguns visionários, já produziam filmes sobre essas temáticas. O cunho social também é presente em muitas obras.

Durante a Rio+20, a Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio selecionou 39 títulos (27 longas e 12 curtas-metragens). Alguns estão disponíveis em locadoras comuns, outros em videotecas especializadas ou de centros culturais e faculdades, mas uma boa parte está disponível na internet, como o excelente e sempre atual "Ilha das Flores", um curta do diretor Jorge Furtado, de 1989, que recebeu diversos prêmios e está listado no livro "1001 filmes para ver antes de morrer", organizado por Steven Jay Schneider.

A curadoria da Cinemateca destaca clássicos como "Hiroshima meu amor", de Alain Resnais, e "O homem de Aran", de Robert j. Flaherty, e premiados em festivais internacionais, como "Caça ao leão com arco", de Jean Rouch.  Jorge Furtado reaparece em destaque com o longa "Saneamento básico", que traz no elenco Paulo José, o brilhante narrador de "Ilha das Flores".

Mesmo que seja difícil encontrar alguns desses filmes, vale a pena pesquisar. Os interessados no tema vão gostar a aprender muito com a visão dos cineastas, que mostram a interrelação entre meio ambiente, diversidade cultural, direitos humanos, padrões de consumo e produção e destinação de resíduos. É para se divertir e pensar.
 
Confira a lista:


LONGAS
1 - Receitas para um desastre  (Recipes for Desaster), de John Webster. Finlândia, 2008.
As mudanças do clima são a preocupação do filme. O diretor compartilha com o espectador a sua tentativa de adotar um estilo de vida com um nível baixo de emissões de gases de efeito estufa.
 
2 - Antes do dilúvio: Tuvalu (Before the Flood: Tuvalu), de Paul Lindsay. Grã-Bretanha/França, 2004.
Tuvalu é uma ilha no oceano Pacífico que se assemelha ao paraíso. Devido à mudança do clima, ela será imersa pelo mar em algumas décadas. Há muito tempo, os moradores travam uma luta internacional por medidas abrangentes contra as emissões de gases de efeito estufa.
 
3 - Hiroshima meu amor (Hiroshima mon amour), de Alain Resnais. França, 1959.
Uma artista vai participar de um filme sobre a paz em Hiroshima e apaixona-se por um japonês.
 
4 - Quanto vale ou é por quilo?, de Sérgio Bianchi. Brasil, 2005.
Adaptação livre do conto de Machado de Assis “Pai contra mãe”. O filme faz uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo marketing social.
 
5 - Ruas de Casablanca, de Nabil Ayouch. Marrocos/França, 2000.
Ali, Kwita, Omar e Boubker são crianças de rua que vivem no porto desde que deixaram Dib e sua gangue. Ali quer partir, tornar-se um marinheiro e correr o mundo.
 
6 - Dersu Uzala, de Akira Kurosawa. Japão/URSS, 1975.
Dersu Uzala é um camponês mongol que serve de guia para um militar russo, cuja expedição faz um levantamento topográfico da Sibéria.
 
7 - Eu, um negro (Moi, un noire), de Jean Rouch. França, 1959.
Jean Rouch comenta o fenômeno dos jovens imigrantes nigerianos desempregados em Treichville, aos quais propôs interpretar a própria vida.
 
8 - Carta Camponesa (Lettre Paysanne), de Safy Faye. Senegal/França, 1973.
Ngor e Coumba moram em uma pequena aldeia no Senegal. Faz dez anos que Ngor deseja casar-se com Coumba. E este ano, novamente, a colheita é ruim... As chuvas insuficientes, irregulares. O amendoim, cultura colonial, a única comercializável, só é colhido uma vez por ano. As dificuldades do casal recheiam a trama.
 
9 - A árvore da vida (Derakht-e Jaan), de Farhad Mehranfar. Irã, 1998.
O filme mostra a tradição cultural do nascimento, amor e morte entre antigos povos que vivem nas florestas enevoadas de Talesh.
 
10 - Comedores de ferro (Eisenfresser), de Shaheen Dill-Riaz. Alemanha, 2007.
Ano após ano, camponeses empobrecidos mudam do norte de Bangladesh para o sul, a fim de trabalhar no desmonte de navios, carcaças de ferro de antigos gigantes do oceano.
 
11 - Hans Staden, de Luiz Alberto Pereira. Brasil/Portugal, 1999.
A história do aventureiro alemão que chegou ao Brasil em 1554 e foi capturado pelos índios Tupinambás. O filme aborda a colonização da costa brasileira e os primeiros contatos entre brancos e índios.
 
12 - Flor de sabugueiro (Holunderblüte), de Volker Koepp. Alemanha, 2007.
A vida de crianças que vivem próximas a Kaliningrado, ao norte da antiga Prússia Oriental. Os adultos deixaram a região em busca de trabalho, as crianças permaneceram nas aldeias despovoadas, abandonadas à própria sorte.
 
13 - Fad, Jal, de Safi Faye. Senegal/França, 1979.
O filme é a crônica de um povoado sérère da região do cultivo do amendoim no Senegal. Os aldeões testemunham, pela fala dos anciãos, a história do povoado transmitida pela tradição oral.
 
14 - Kadosh – Laços sagrados (Kadosh), de Amos Gitai. Israel, 1999.
No bairro ultraortodoxo de Jerusalém, duas irmãs reagem diferentemente aos preconceitos religiosos defendidos pelos homens.
 
15 - Raízes do Brasil – Uma cinebiografia de Sérgio Buarque de Hollanda, de Nelson Pereira dos Santos. Brasil, 2003.
Documentário sobre o historiador Sérgio Buarque de Hollanda, uma das maiores referências para o conhecimento da cultura e da história do Brasil.
 
16 - Estamira, de Marcos Prado. Brasil, 2006.
Trabalhando há cerca de duas décadas em um aterro sanitário situado em Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, Estamira Gomes de Sousa é uma mulher de 63 anos que sofre de distúrbios mentais.
 
17 - Taafe Fanga, poder de saia (Taafe Fanga, Pouvoir de pagne), de Adama Drago. Mali/França, 1997.
O ilustre feiticeiro africano Sidiki Diabaté é o guia para as montanhas de Bandiangara e para a cultura do povo Dogon. L’Albarga, a máscara dos espíritos da falésia, sinônimo de poder, cai nas mãos de Yayème, uma adolescente. Com isso, a confusão instala-se em Yanda.
 
18 - Encontro para a conquista (Au Rendez-vous), de la Conquête de Euzhan Palcy. França, 2006.
A ética, a teoria e a filosofia da Negritude. Os diferentes encontros do jovem estudante Aimé Césaire em Paris com pensadores, intelectuais, e sua ida à África pela ótica do jovem Léopold Senghor.
 
19 - A caça ao leão com arco (La Chasse au lion à l’arc), de Jean Rouch. França, 1965.
De 1957 a 1964, Rouch seguiu os caçadores gaos, da região de Yatakala. O filme traça os episódios dessa caça, na qual técnica e magia estão intimamente ligadas: fabricação dos arcos e flechas, preparação do veneno, rastreamento e ritual de sacrifício.
 
20 - Raoni, de Jean-Pierre Duttileux e Luiz Carlos Lacerda. Brasil/França/Bélgica, 1978.
Na aldeia dos índios Mekronotis, onde Raoni é o cacique, chega a notícia de que, mais uma vez, tratores penetram na floresta, invadindo as fronteiras da reserva indígena.
 
21 - O grande caos (Der grosse Verhau), de Alexander Kluge. Alemanha, 1971.
No primeiro século do terceiro milênio, estoura uma guerra civil na Via Láctea entre governos, gigantes da indústria e piratas do espaço sideral.
 
22 - Como era gostoso o meu francês, de Nelson Pereira dos Santos. Brasil, 1970.
No Brasil, em 1594, um aventureiro francês prisioneiro dos Tupinambás escapa da morte graças aos seus conhecimentos de artilharia. Segundo a cultura da tribo é preciso devorar o inimigo para absorver seus poderes.
 
23 - Finis Terrae, de Jean Epstein. França, 1929.
Realizado na costa da Bretanha com os habitantes da ilha de Ouessant, Finis Tarrae faz parte de uma trilogia - completada com "Mor vran-La Mer", de Corbeaux (1931), e "L’Or des Mers" (1932) - dedicada à Bretanha, que toma a forma de um poema visual sobre a vida, o amor e a morte dos seus habitantes.
 
24 - O homem de Aran (Man of Aran), de Robert J. Flaherty. Grã-Bretanha, 1934.
Nesse cinema-documentário, Flaherty apresenta uma família de pescadores pobres que sobrevive na crua paisagem do oeste da Irlanda.
 
25 - Todos os seres humanos nascem livres e iguais (Alle Menschen sind frei und gleich...), vários diretores. Alemanha, Estônia, Israel, Letônia, Lituânia, Polônia, Rússia, República Tcheca, Ucrânia, EUA, 2007.
Para marcar o 60o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 2008, a fundação “Erinnerung, Verantwortung und Zukunft” (Memória, responsabilidade e futuro), em colaboração com o Instituto Goethe, realizou o 2o Concurso Internacional de Curtas-Metragens. Estudantes de escolas de cinema e artes de diversos países apresentaram os filmes.
 
26 - No Rastro do Eldorado, de Silvino Santos. Brasil, 1926.
O filme documenta a expedição do Dr. Alexander Hamilton Rice, em 1925, pelo Amazonas e Roraima.
 
27 - Saneamento básico, de Jorge Furtado. Brasil, 2007.
A comunidade de Linha Cristal, uma vila de descendentes de colonos italianos na serra gaúcha, decide fazer um vídeo para tentar resolver os problemas de saneamento básico da localidade.

CURTAS
1 - O que você faz contra a mudança climática? (Was machst du gegen den Klimawandel?), de Katrin Rothe. Alemanha, 2008, duração 2'45.
 
2 - A história das coisas (The Story of Stuff), de Louis Fox. EUA, 2008,  20’. Assista ao vídeo*
 
3 - Ilha das flores, de Jorge Furtado. Brasil, 1989, 13’.
 
4 - Ecologia, de Leon Hirzsman. Brasil, 1973, 10’.
 
5 - As pedras do sol, de René Capriles Farfan. Brasil, 1972, 22’.
 
6 - Os Caramujos (Les escargots), de René Laloux. França, 1965, 11’.
 
7 - Carro de bois, de Humberto Mauro. Brasil, 1974, 9’.
 
8 - Vizinhos (Neighbours), de Norman MacLaren. Canadá, 1952, 8’.
 
9 - Recife frio, de Kleber Mendonça Filho. Brasil, 2009, 23’.
 
10 - A pedra da riqueza, de Vladimir Carvalho. Brasil, 1975, 15’.
 
11 - Nocturno de Bachelard, de Jose Eduardo Alcazar Peña. Paraguai, 2012, 28'.
 
12 -  Arraial do Cabo, de Paulo César Saraceni e Mário Carneiro. Brasil, 1959, 17’.
 
Fonte: Cinemateca do MAM, Consulado Geral da França no Rio de Janeiro, Instituto Goethe, Cinemateca Brasileira, Arquivo Nacional, Grupo Estação e CTAv

(*Enviado especial)

*Assista ao curta "A história das coisas", postado no Youtube.