Um terremoto de 8,3 graus que abalou a região central e norte do Chile na quarta-feira (16), deixou pelo menos 11 mortos em um dos países mais sísmicos do mundo. O número foi confirmado pelo ministro do Interior, Jorge Burgos. Mais um milhão de habitantes tiveram que abandonar suas casas.

Ao "número de oito chilenos mortos que anunciamos mais cedo, devemos somar mais duas pessoas", disse Burgos, ao divulgar um último balanço oficial do Escritório Nacional de Emergências (Onemi), em Santiago. "Trata-se de um terremoto de grande magnitude, classificado como o terremoto mais potente que o mundo teve em 2015, mas os chilenos estão acostumados", acrescentou o ministro.

Burgos situou a região de Coquimbo, no norte chileno, como a zona mais afetada pelo terremoto, que teve seu epicentro 42 km a oeste da pequena localidade de Canela Baja, no mar, segundo o último balanço oficial.

O país ficou em pânico e um alerta de tsunami chegou a ser dado pelas autoridades locais, no entanto, ele foi suspenso pela manhã. “O alerta de tsunami foi suspenso em todo o território nacional”, anunciou o Departamento Nacional de Situações de Emergência do Chile, em sua conta da rede social Twitter.

O terremoto aconteceu às 19h54 (mesmo horário de Brasília) e, no momento, muitas pessoas seguiram para as partes elevadas das cidades costeiras após o alerta de tsunami durante a noite.

"Este foi o sexto terremoto mais violento da história do Chile e o mais forte de 2015 em nível mundial" em relação à magnitude, destacou o subsecretário do Interior, Mahmoud Aleuy.

De acordo com Ricardo Toro, diretor do Onemi, a situação começa a voltar ao normal e o governo espera enviar nas próximas horas militares à região mais afetada, na província de Choapa, para determinar a verdadeira magnitude dos danos.

A presidente chilena, Michelle Bachelet, decretou zona de catástrofe para a província de Choapa (norte), epicentro do tremor, o que significa que a região está sob comando militar e o Estado destinará mais recursos à localidade para atender a emergência.

Bachelet pretende visitar nesta quinta-feira a região afetada para uma "avaliação precisa".  As aulas foram suspensas nas localidades costeiras da região centro-norte.
 


Réplicas

A presidente também advertiu para a ocorrência de tremores secundários e disse que o governo acompanha a situação "minuto a minuto". O diretor do Onemi afirmou que mais de 135.000 famílias estavam sem energia elétrica nesta quinta-feira.

Mais afetados

As zonas povoadas mais afetadas, de acordo com o primeiro balanço, seriam a localidade de Illapel, de 31.000 habitantes e 230 km ao norte de Santiago, assim como o povoado costeiro de Tongoy, na região de Coquimbo, onde as ondas arrasaram sua costa.

Em Illapel, imagens da Televisão Nacional do Chile mostravam uma dezena de casas de adobe destruídas no centro da cidade, enquanto em Tongoy, a passagem das ondas gerou grande destruição no centro da localidade. "A cidade está destruída. Aqui foi terrível", narrou um vizinho de Tongoy à TVN.

O porto da cidade de Coquimbo também sofreu severos danos, de acordo com as autoridades.

O alerta de tsunami motivou a transferência a setores altos de um total de um milhão de pessoas, sem maiores complicações em todo o território nacional. A maioria já havia retornado as suas casas.

Epicentro e magnitude

O abalo ocorreu diante de Illapel (norte), de 31 mil habitantes. O Centro Sismológico Nacional da Universidade do Chile (CSN) situou o epicentro 36 km a oeste da localidade de Canela Baja, na região de Coquimbo (500 km da capital), a uma profundidade de 11 km.

Inicialmente, o Centro Sismológico Nacional informou um tremor de 7,2 graus, mas posteriormente, o governo ajustou a magnitude para 8,4 graus na escala Richter.

O Centro Sismológico dos Estados Unidos (USGS) relatou um terremoto de 8,3 graus na escala de magnitude, situando o epicentro 230 km ao norte de Santiago.

Alerta suspenso

Durante a noite, o Serviço Hidrológico e Oceanográfico da Marinha (Schoa) emitiu um alerta de tsunami para toda a costa do país, ordenando a evacuação das cidades situadas à beira-mar. Até no estado americano da Califórnia houve uma advertência de tsunami.

"As pessoas corriam para todos os lados, não sabíamos para onde ir", contou Gloria Navarro, moradora da cidade de La Serena, no norte chileno, cuja costa foi evacuada diante do risco de tsunami.

"Estávamos saindo do nosso prédio quando tudo começou a balançar, algo muito forte. O chão tremia com muita força", relatou Pablo Cifuentes, morador de Santiago, à rádio Cooperativa.

O terremoto foi de longa duração e seguido de vários tremores secundários muito fortes.

Em Santiago, capital chilena com 6,6 milhões de habitantes, o terremoto causou pânico e milhares de pessoas foram às ruas, constatou um jornalista da AFP.

 


Serviços

Os serviços básicos funcionavam normalmente em Santiago, do mesmo modo que a Internet, e o aeroporto foi reaberto após uma revisão das pistas.

Os telefones apresentaram problemas na capital chilena e o metrô suspendeu suas operações devido aos diversos abalos secundários, incluindo um tremor de 6,5 graus, segundo o CSN.

Reflexos

Em São Paulo, o abalo foi percebido nos prédios mais altos e os bombeiros receberam cerca de 50 telefonemas. "Tremor de terra no Chile. Reflexos em SP recebemos cerca de 50 chamados da Paulista, Vila Mariana, Tatuapé, Guarulhos e Osasco", foi postada às 20h30 no twitter do Corpo de Bombeiros. "A nossa dica é descer dos prédios e verificar sinais de rachaduras e trincas, caso constatadas acionar Defesa Civil tel199".

O terremoto foi sentido em Buenos Aires, 1.400 km a oeste de Santiago, onde os prédios balançaram e várias pessoas entraram em pânico. O abalo foi percebido em várias províncias argentinas, como Catamarca e Tucumán, no norte, Mendoza, oeste, e Córdoba, no centro do país.

Em 2010, a zona central do Chile foi sacudida por um terremoto de 8,8 graus com tsunami que deixou mais de 500 mortos. Em abril do ano passado, outro terremoto, de 8,2 graus, abalou a cidade de Iquique, deixando seis mortos.

* Com informações da AFP