O engenheiro de software Alexandre Amantea contratou um plano de internet para celular pelo valor de R$ 384 por mês. No acordo fechado com a operadora, ele e a mulher teriam direito a seis gigabytes de navegação, que seriam recarregados sempre no dia 25 de cada mês. No entanto, bastaram poucos dias de utilização do serviço para que os problemas começassem a acontecer. 
 
Problemas que têm se tornado cada vez mais frequentes e confundido consumidores em todo o país. Em Belo Horizonte, as reclamações registradas pelo Procon Municipal contra o descumprimento de ofertas das empresas de telefonia celular cresceu 49% em março na comparação com o mesmo mês do ano passado.
 
Amantea relata que em menos de uma semana de uso começaram a chegar mensagens avisando que todo o pacote de internet havia sido consumido e a velocidade seria reduzida. “Registramos inúmeras reclamações e chegamos a ter nosso saldo reiniciado, mas o problema voltou a acontecer. Fizemos denúncia na Anatel, mas continuamos pagando pelo plano e com uma conexão que simplesmente não funciona”, comenta.
 
A coordenadora do Procon Municipal, Maria Lúcia Scarpelli, lembra que a lei determina o cumprimento absoluto da oferta. “Então, dentro daquele período contratado, todas as condições de navegação devem ser mantidas rigorosamente”, alerta.
 
A situação é tão séria que, na última quarta-feira, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deu prazo entre seis e 15 meses para que as operadoras de telefonia móvel cumpram a meta de 85% de sucesso nas tentativas de acesso à internet.
 
A falta de clareza na comercialização dos planos de dados é apontada como um dos fatores para o aumento das reclamações. Na avaliação da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), o cliente das operadoras tem o direito de ser informado sobre quanto está consumindo de acordo com os aplicativos que usa e os conteúdos que acessa, o que não acontece hoje. 
 
Uma opção é utilizar por conta própria ferramentas gratuitas para essa medição, como os aplicativos Data Man (iOS) e Mobile Counter (Android), que alertam o usuário para a quantidade de dados gastos durante a navegação. “O consumidor ainda não registrou muitas reclamações relativas ao uso de dados porque está buscando orientação para entender o que está acontecendo”, aponta a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci. 
 
Avanços tecnológicos devem melhorar a qualidade da rede
 
Especialistas apontam que uma das possíveis soluções para reduzir os problemas de navegação via celular é o crescimento das conexões 4G. O diretor da empresa de assessoria em telecomunicações Teleco, Eduardo Tude, esclarece que a melhoria na qualidade dos aparelhos vai permitir que usuários e operadoras sejam beneficiados.
 
“A tecnologia 3G ainda domina a maior parte do mercado e, por isso, responde pela maior parte das reclamações. Quando a maioria dos usuários já estiver utilizando o 4G, as companhias telefônicas terão condições de oferecer uma conexão melhor”, aponta.
 
A ampliação da quantidade de antenas e o compartilhamento de infraestrutura por parte das operadoras também podem melhorar a qualidade do sistema.
 
Campanha
 
Há duas semanas, as operadoras Algar Celular, Claro, Oi Móvel, Sercomtel, TIM e Vivo decidiram colocar em prática ações para esclarecer o consumidor sobre as condições de oferta de planos de internet móvel.
 
Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), um Código de Conduta para a Comunicação da Oferta de Internet Móvel será criado para uma comunicação mais transparente aos consumidores. Dessa forma, deverão surgir formas para que o cliente compare as ofertas de planos de internet móvel.
 
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