Tido como um dos principais programas de inovação do governo do Estado até o ano passado, a Cidade das Águas Unesco – HidroEx deveria começar a funcionar neste mês de abril, mas está com as obras atrasadas e paralisadas. Orçadas em mais de R$ 200 milhões, as obras do complexo estão sob auditoria da Controladoria Geral do Estado (CGE).

Além disso, a Promotoria de Patrimônio Público do município de Frutal iniciou procedimento para investigar as obras já realizadas. Moradores da cidade relataram à promotoria que os prédios construídos seriam frágeis e já apresentariam problemas de construção.

A promotoria também investiga se houve irregularidades em concurso público para preenchimento de cargos da Cidade das Águas.

De acordo com o ex-secretário de Ciência e Tecnologia, Nárcio Rodrigues, que foi responsável pela implantação do projeto, mais de 80% de todo o complexo já estão prontos. Ele afirma que não tem receio do exame de contas que a CGE está elaborando.

“A auditoria vai ser muito boa, muito bem vinda. Vai confirmar que o dinheiro público foi muito bem gasto”, enfatizou o ex-secretário.

A Cidade das Águas foi inaugurada em setembro de 2011, com a presença de representantes dos governos Estadual e Federal, mas as atividades de pesquisa e ensino ainda não estão em funcionamento. Entretanto, um Campus da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) no local já formou mais de 5.600 alunos.

O HidroEx é um dos projetos da Cidade das Águas, que conta com a parceria de várias universidades, governo Federal e organizações ligadas aos recursos hídricos.

De acordo com a Secretaria de Ciência e Tecnologia, o HidroEX está em funcionamento desde 2010. No quadro de pessoal, a Fundação conta com 25 cargos remunerados pelo Estado. Atualmente, duas atividades feitas em parceria com a Cemig estão em andamento.

“Tratam-se da construção de um barco escola e a realização de uma pesquisa que avalia e monitora a qualidade da água do reservatório de Volta Grande, no trecho médio do Rio Grande. A Fundação também possui curso de mestrado, com 23 inscritos, em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). A HidroEx ainda atua com o projeto Floresta Escola e parceria com as universidades de Viçosa e de São João del-Rei”.

Nárcio criticou a gestão de Pimentel, por não ter dado prioridade ao projeto. “Assinamos um documento com a Unesco e deveria ter começado a funcionar agora em abril”, afirma.

A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e a Fundação HidroEX estão avaliando a situação dos projetos.