Os estoques abarrotados e as promoções incessantes indicam que a Páscoa do comércio não será tão doce em 2015. Com o cenário econômico instável e o preço do chocolate nas alturas – houve variação de até 84% nos preços entre 2014 e 2015, segundo o Mercado Mineiro –, os consumidores colocaram o pé no freio e deixaram de lado os ovos mais caros, que correm o risco de encalhar nas gôndolas. Mas isso não quer dizer que não haverá chocolates no domingo. As barras e caixas de bombons, que são produtos mais baratos, ganharam espaço. 
 
Na Americanas da avenida Brasil, no Santa Efigênia, os corredores estão abarrotados com ovos de todas as cores e tamanhos. O que falta, pelo visto, são os compradores. Muitas pessoas chegam à loja, pegam os produtos, veem o preço e acabam desistindo. De acordo com um vendedor que não quis se identificar, além dos chocolates espalhados pela unidade, há, ainda, um estoque cheio para desovar.
 
As ações para aumentar as vendas já começaram na Americanas. Para reduzir o estoque, quase todos os produtos estão em promoção. Um ovo Grandes Sucessos da Lacta, por exemplo, que custava R$ 84,99, nesta quinta-feira (2) sai por R$ 69,99. 
 
Já um ovo iCarly de 160 gramas que vem com um fone de ouvido e custava R$ 24,99, nesta quinta-feira é vendido por R$ 17,99. O ovo da Barbie de 100 gramas que vem com um porta treco em formato de sapato também teve o preço reduzido de R$ 32,99 para R$ 24,99. Na loja, até os coelhos de pelúcia, que ocupam uma prateleira inteira, entraram no saldão: de R$ 29,90 por R$ 19,90.
 
Corpo a corpo
 
No Extra, além das promoções que enchem os olhos, os promotores de vendas das marcas Nestlé e Garoto, Arcor e Ferrero Rocher não deixam escapar um cliente sem que algum produto seja oferecido. “Se você levar três deste, você ganha um deste”, diz um promotor. “Se você levar dois desta marca, você ganha um copo”, insiste outro. Mas, em outro canto, uma pessoa que trabalha na loja confessa. “Os estoques estão lotados”, revela. Apesar disso, o grupo prevê vender 10% a mais do que no ano passado. 
 
A professora Débora Lima foi com os filhos, Nathan, de 6 anos, e Asafe, de 10, comprar os presente de Páscoa. Receosa com os preços, ela ficou feliz com o que as crianças escolheram. “Um quis o de time, que vem com um relógio, e custa R$ 24,90. O outro escolheu um de tartaruga, que custa R$ 15,90”, diz. 
 
Substituição
 
As vendas estão, em média 8% menores do que no ano passado no Supermercado Guarim, localizado no Santa Efigênia, conforme afirma o subgerente Geraldo Márcio Capacini. De acordo com ele, as pessoas têm dado preferência às caixas de bombons e às barras, que são mais em conta. “Ou esperam até a última hora, na expectativa de que haja promoção”, comenta o subgerente. 
 
Na loja já foi realizado um saldão que chegou a diminuir os preços em até 12% e Capacini não descarta uma nova redução. Apesar disso, ele não teme que os ovos fiquem encalhados depois da Páscoa. “Compramos menos ovos neste ano, já pensando em um cenário pior”, comenta.
 
Enquanto os ovos vendidos nos grandes varejistas estão à beira de um encalhe, as lojas especializadas conseguem comercializar produtos por preços mais baixos. Na Cacau Show, um ovo de 400 gramas recheado custa R$ 48,90. “Não paramos um minuto aqui. Toda hora chega cliente”, diz o vendedor, Elvis Batista de Olivera. 
 
Ovos de páscoa correm risco de encalhe em BH