A tubulação que levará gás natural para a fábrica de amônia da Petrobras em Uberaba, no Triângulo Mineiro, sairá do papel com mudança no traçado e um custo R$ 200 milhões superior ao estimado.

Apesar das alterações, secretários estaduais garantiram ao Hoje em Dia que o gasoduto ficará pronto a tempo de atender à demanda da planta industrial da fábrica de amônia, que deve entrar em funcionamento no primeiro semestre de 2017.

Até o fim do ano passado, já havia sido definido que a tubulação seguiria de Betim até Uberaba. Mas não se falou sobre o início da obra. Agora, o governo estadual buscará o combustível em Queluzito, na Região Central, e irá levá-lo até Uberaba, contemplando ainda Uberlândia, que estava nos planos de uma expansão futura.

Responsável pelo projeto, a Gasmig – empresa controlada pela estatal Cemig –, cancelou a licitação do projeto executivo do gasoduto Betim-Uberaba, em janeiro deste ano. Com a posse da nova diretoria, novos estudos técnicos e articulações políticas foram realizados.

Nos próximos dias, a Cemig e o governo do Estado deverão divulgar como será a engenharia financeira para que a obra seja feita. A expectativa anterior era de que fossem investidos R$ 1,8 bilhão. Segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Altamir Rôso, que disse que o traçado ainda está em estudos, o valor beira os R$ 2 bilhões.

Ainda não está definido se a obra será feita com recursos do Tesouro Estadual, da Cemig ou em parceria com a iniciativa privada. O fato é que o governo do Estado se comprometeu com a Petrobras a construir a tubulação para alimentar a planta de amônia em Uberaba e, para que não haja ociosidade do empreendimento, precisa agir logo para que as inaugurações sejam simultâneas.

Governo mineiro garante construção de gasoduto para Petrobras a R$ 2 bilhões

De acordo com Rôso, o gasoduto pode ficar pronto em dois anos, mas a obra poderá ser acelerada.

Nesta quarta-feira (4), a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) lança o “Caderno de Oportunidades”, que apresenta aos empresários e investidores uma lista com a relação de uso do gás natural na indústria, além de apontar as possibilidades de fornecimento de materiais e serviços para a obra.

Estarão presentes prefeitos dos municípios beneficiados com o empreendimento e há a expectativa de que o governador Fernando Pimentel esteja presente.

Dificuldades

Um problema que precisa ser superado para que as obras comecem é a greve de funcionários da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

De acordo com o titular da pasta, Sávio Souza Cruz, há mais de um ano servidores fazem uma operação padrão. Eles continuam trabalhando mas, na prática, realizam o básico, e isso pode atrasar o processo de licenciamento.

Secretário diz que obra poderá ser licitada em vários trechos

O gasoduto mineiro que irá alimentar a planta de amônia da Petrobras em Uberaba, no Triângulo Mineiro, poderá ser licitado em trechos para que fique pronto mais rápido.

De acordo com o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Altamir Rôso, não há grande complexidade técnica que dificulte a execução da obra, e isso favorece a conclusão no prazo.

Questionado se a fábrica de amônia da Petrobras corre o risco de ficar pronta antes da conclusão da obra que levará gás natural a Uberaba o atual prazo é o primeiro semestre de 2017, o secretário descartou a possibilidade.

“Nós temos um cronograma que tem que fechar. O compromisso (do governo do Estado) é entregar (o gasoduto) num momento casado (com a inauguração da planta industrial)”, afirmou.

Engenheiro por formação, o secretário informou que é possível adiantar a obra em até sessenta dias, entregando o gasoduto pronto em 22 meses.

Implantação da fábrica de amônia já foi iniciada

Apesar dos problemas que a Petrobras enfrenta desde o início da Operação “Lava-Jato” e das investigações da compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, a obra da planta de amônia, no Triângulo Mineiro, não sofreu interrupções. Quem garante é o secretário de Desenvolvimento Econômico de Uberaba, José Renato Gomes.

“Em nenhum momento senti ações da Petrobras que pudessem atrasar ou retardar o empreendimento. Na semana passada a obra passou a ter mais de 800 funcionários”, revelou.

O ápice do empreendimento, realizado no Distrito Industrial III de Uberaba, deverá ser em dezembro do ano que vem, quando mais de 4.700 funcionários deverão estar empregados.

Atualmente, a prefeitura da cidade trabalha para conseguir construir mais uma estrada de acesso à obra. “Estamos negociando com a Codemig para passar por uma área de canavial deles. Em novembro deste ano muitos equipamentos deverão chegar e vamos precisar de mais uma via, já que o tráfego ficará intenso”, avalia.

De acordo com o secretário, o cronograma da obra não atrasou porque a Petrobras confia que o governo do Estado irá construir o gasoduto para abastecer a fábrica. A Petrobras foi procurada, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

Importância

Para o vice-presidente da Fiemg e presidente da regional Centro-oeste, Afonso Gonzaga, o gasoduto irá beneficiar não apenas o Triângulo Mineiro, mas também outras regiões do Estado por onde irá passar. “É a obra mais importante no Estado nos últimos 20 anos. Com o uso do gás, a indústria metalúrgica economiza até 12% com o custo de combustível. Além disso, economiza 70% no investimento nos fornos”.