As operadoras de telefonia móvel estão mais agressivas na busca por novos clientes, na tentativa de aumentar a participação de mercado. Seja por meio do reforço no atendimento, ou convergência de mídias – quando outros serviços, como a TV por assinatura, entram na jogada –, cada companhia tem uma estratégia quando o assunto é conquistar o consumidor. Principalmente entre os mineiros, conhecidos por possuir um perfil conservador.

Em Minas Gerais, a Vivo é líder com 31,8% do mercado, seguida pela TIM, que detém 26,7%. A Oi aparece em terceiro, com 23,4%. Em último, mas não com menos apetite, vem a Claro, que detém 14,2%, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

De acordo com o presidente da Teleco Consultoria, Eduardo Tude, 40% dos clientes cancelam os planos todos os anos, seja para migrar para uma proposta diferente ou para mudar de operadora. “Por mês, a taxa gira em torno de 3%”, comenta.

Portabilidade

Com o início da portabilidade, sistema em que o cliente pode mudar de operadora e manter o número do telefone, a concorrência ficou ainda mais intensa. “Não existe mais fidelidade. O cliente escolhe o que for melhor para ele”, comenta o sócio da Orion Consultores e ex-ministro das Comunicações, Juarez Quadros.

E vale até “roubar” o cliente da concorrente, o que, aliás, é bastante comum. O proprietário da Uninet Engenharia e Automação, Bruno Henrique da Silva, já fez portabilidade duas vezes. Na terceira operadora, ele afirma que recebe ligações constantemente das concorrentes e admite que se sente atraído pelas propostas. “Ainda não recebi nenhuma que compensasse uma nova migração, mas, se receber, mudo de novo, sem peso na consciência”, diz.

Corrida pela liderança

Os executivos das empresas de telefonia sabem que os consumidores procuram a melhor proposta. Embora esteja bem atrás das concorrentes em Minas, a Claro possui um planejamento para se tornar líder do setor no Estado no longo prazo. É o que afirma o diretor regional da Claro para Minas Gerais, Erik Fernandes.

“Chegamos ao mercado mineiro por volta de 2005, 2006. Outras operadoras já estão há décadas no Estado. Fomos os últimos a chegar, mas estamos crescendo muito. Temos 29 lojas próprias, por exemplo”, diz o executivo.

De olho na tela

Para crescer a um ritmo suficiente para alcançar a líder Vivo, de acordo com Fernandes, a Claro antevê um movimento que começou há alguns anos: a forma com que as pessoas utilizam o celular. “Hoje, as pessoas usam os telefones mais para dados do que para voz. Por isso, fomos os primeiros a lançar produtos como 3G, 3G+ e 4G”, explica.
 
Como resultado, a Claro cresceu 0,1 ponto percentual no Estado entre novembro e dezembro do ano passado, a maior alta registrada entre os principais players. O resultado parece pequeno, mas é digno de comemoração. “Crescer 0,1 ponto percentual é muito bom”, diz. Principalmente em um mercado em que todo mundo tem celular.

Para o futuro, Fernandes aposta na convergência de mídias para atrair mais clientes. “Nossos clientes têm descontos em planos de TV por assinatura, o que faz com que nossa base se fortaleça”, comenta.

Estratégias personalizadas para o Estado procuram aproximar as marcas dos mineiros

A TIM não fica atrás quando o assunto é esforço para ganhar mercado. No ano passado, a companhia criou uma diretoria de Marketing exclusiva para Minas Gerais. Antes, o Estado fazia parte da regional Leste, que compreende o Rio de Janeiro e o Espírito Santo.

Minas responde por 9,5% da base de clientes do país e é o quarto maior polo de clientes da TIM no Brasil. O diretor comercial da companhia no Estado, Rodrigo Neves, afirma que o objetivo é chegar à liderança.

“Mas vamos com calma. O mineiro dá muito valor ao atendimento presencial. Por isso, estamos mantendo o 0800, mas vamos potencializar as lojas próprias e de parceiros”, afirma.

No curto prazo, segundo ele, as campanhas e peças publicitárias da TIM para Minas serão personalizadas. O patrocínio de eventos emblemáticos do Estado, como o Festival de Jazz de Ouro Preto e o Carnaval de Belo Horizonte também estão na pauta da operadora. “Queremos ficar perto do mineiro”, comenta.

De acordo com Neves, serão 70 novas lojas, entre próprias e canais de parceiros. Hoje, a companhia possui 18 lojas próprias em Minas, e prevê abrir outras 5, somando 23. Tecnologia é outro foco da TIM. No Brasil, no triênio que vai até 2016, a companhia aplicará em infraestrutura mais de 90% dos R$ 11 bilhões previstos para investimentos.

Oi

Terceira colocada no ranking mineiro de telefonia móvel e quarta no nacional, a Oi investiu R$ 388 milhões em Minas entre janeiro e setembro de 2014 para melhorar a qualidade do serviço prestado.

A empresa também aposta em outros serviços, como a TV por assinatura e o telefone fixo para atrair os clientes.

“O posicionamento da Oi em Minas é melhor do que o nacional por que muitos clientes vieram dos planos fixos”, explica o ex-ministro das Comunicações, Juarez Quadros. No Estado, a companhia detém 23,4%, enquanto no país o market share é de 18,14%.

De acordo com o gerente de Vendas Varejo da Regional Minas e Espírito Santo da Oi, Wellerson Vieira Leite, as mais de 200 lojas da empresa (17 são próprias) têm foco na convergência dos produtos e serviços.

“Além disso, a empresa patrocina eventos de grande relevância, como os festivais de cinema de Tiradentes, promovendo ações de marketing durante sua realização”, comenta.

Consumidor quer velocidade de conexão e no atendimento

Para conquistar e manter os 8,5 milhões de clientes que possui em sua base em Minas, a Vivo aposta em relacionamento.

“O cliente mineiro é extremamente exigente e o Estado é estratégico e importante para a companhia. Prova disso é que vários lançamentos de produtos são realizados aqui, já que temos uma representação da diversidade do Brasil em muitos aspectos”, afirma o diretor da Vivo em Minas Gerais, Renato Gomes.

A tecnologia 4G também é ressaltada por ele como fator importante para cativar o cliente. De acordo com Gomes, todos os planos da companhia são compatíveis com a quarta geração e oferecem franquias de até 20 gigabytes (GB), quase sete vezes mais velozes do que o ofertado nos antigos 3G.

“Em Minas Gerais, estamos com cobertura 4G em nove cidades – Belo Horizonte, Juiz de Fora, Uberlândia, Contagem, Ipatinga, Sete Lagoas, Pouso Alegre, Varginha e Poços de Caldas”, afirma.

Outro ponto destacado como primordial para atrair o mineiro é o atendimento. Atualmente, a Vivo conta com 27 lojas próprias, mais de 71 mil pontos de recarga, 380 revendas e 700 pontos de varejo em toda Minas Gerais.

Estar próximo do cliente por meio do patrocínio de eventos é outra estratégia utilizada pela Vivo.

A companhia patrocina a Fundação Clóvis Salgado e desenvolveu o projeto Vivo EnCena, responsável por trazer a Belo Horizonte em 2014 oito espetáculos de projeção nacional, com nomes como Regina Duarte, Marisa Orth, Miguel Falabella e Zezé Polessa, dentre outros.

No mesmo ano, em novembro, a companhia trouxe pela primeira vez à capital mineira o Vivo Open Air, o maior festival de cinema ao ar livre do mundo. Em 14 dias de evento, cerca de 15 mil pessoas assistiram às exibições de longas e curtas metragens nacionais e internacionais, voltadas para os públicos infantil e adulto.