A recuperação da economia dos Estados Unidos não está sendo suficiente para compensar o arrefecimento das exportações mineiras para a China. O resultado é uma provável redução das vendas externas do Estado em 2014 e uma perspectiva negativa para 2015.

Estimativas da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) apontam para receitas de US$ 31,7 bilhões com as exportações em 2014, o que equivale a uma retração de 5% sobre os US$ 33,4 bilhões de 2013.

Este ano, o valor das exportações do Estado para a China, até setembro, é 15% menor do que em igual período de 2013. Para os Estados Unidos aumentou em 19,1% na mesma base de comparação.

Rombo

No entanto, o “rombo” acumulado deixado pelo recuo nas vendas ao país asiático de janeiro a setembro é de US$ 1,2 bilhão, enquanto o aumento dos embarques para os norte-americanos é de US$ 248 milhões.

Para o vice-presidente do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), Pedro Paulo Pettersen, o cenário externo não é favorável tanto em 2014 como para 2015.

“A China tem arrefecido seu crescimento, o que tem impacto nas commodities, que são mais de 50% das exportações de Minas. Nos Estados Unidos, ainda não vejo como consistente a recuperação. Esse mercado é importante porque é para onde enviamos manufaturas e podemos diversificar a pauta de exportações”, afirmou.

Segundo o economista, o crescimento da economia dos Estados Unidos ainda está muito ligado aos gastos públicos e pouco atrelado ao consumo das famílias e ao investimento, o que coloca em xeque sua consistência.

Em 2015, as perspectivas são desfavoráveis devido à influência do comportamento da Europa e do Japão.

“Estes dois mercados não conseguem, na melhor das hipóteses, sair da estagnação”, disse.

O professor do Ibmec Minas e doutor em economia Paulo Pacheco também enxerga um horizonte de negócios fracos no mercado internacional para Minas Gerais.

“Mesmo que os Estados Unidos se recuperem bem e aumentem a demanda, Minas se beneficia pouco porque não diversificou sua economia. Exportamos alguns produtos manufaturados, mas é pouco. O que embarcamos mais para lá é café e outros produtos agrícolas”, afirmou.

Diante disso, ele descarta a possibilidade de os Estados Unidos compensarem as perdas de exportação geradas pelo menor crescimento chinês. “O crescimento dos Estados Unidos vai beneficiar São Paulo. Minas vai sofrer”, avaliou.

Vizinho sul-americano é saída para manufaturado

Apesar da pouca relevância na pauta de exportações de Minas Gerais, exceção feita à Argentina, os vizinhos da América do Sul podem ser a saída para fortalecer o mercado externo para alguns setores, como o polo calçadista de Nova Serrana.

A Lynd Calçados, instalada no município, planeja aumentar suas receitas com exportações a partir de melhores condições cambiais e da percepção de maior demanda. “Aumentaram as consultas de clientes da Argentina, Bolívia e Chile, principalmente. As exportações ainda representam pouco do nosso faturamento, mas com o dólar favorável (valorizado) podemos melhorar isso, até porque o mercado interno está enfraquecido”, afirmou Ronaldo Lacerda, proprietário da Lynd.

Atualmente, a empresa apura cerca de 3% do seu faturamento com exportações, mas prevê elevar este percentual para próximo de 7% no curto prazo. A fábrica, que emprega 300 trabalhadores, tem produção mensal de 120 mil pares de calçados.

“O nosso foco é a Classe C, que teve uma mudança em seus hábitos de consumo, migrando para bens duráveis. Mesmo nos calçados, estão buscando mais as marcas importadas”, observou.

Dentro do Mercosul, a Argentina é o principal parceiro econômico do Estado. Os negócios em 2014, porém, não favoreceram. Os embarques para o vizinho em crise caíram 23,4% de janeiro a setembro deste ano em relação a igual intervalo de 2013. As vendas caíram de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,2 bilhão no período. Depois da Argentina, a Venezuela é o segundo destino, dentro da América do Sul, de produtos fabricados em Minas. Apesar de contabilizar alta de 39% nos embarques este ano, o valor das exportações é baixo e somou, até setembro, US$ 212 milhões.