O Japão busca sua independência energética e, ao mesmo tempo, melhorar sua reputação ecológica – afinal, ele é o sexto emissor de gases de efeito estufa do planeta. O país quer alcançar o status de “sociedade do hidrogênio”, e a indústria automotiva desempenha um papel fundamental nesse plano.

O Salão do Automóvel de Tóquio 2015, que vai até o próximo domingo, enfatiza a busca das montadoras pelo desenvolvimento de automóveis híbridos e elétricos, como mostrou nosso enviado especial ao Salão, Boris Feldman. Na edição deste próximo sábado, dia 7, do caderno “Auto Papo”, ele dará detalhes da estrela da Toyota nessa seara, o Mirai.

O Mirai é o “primeiro carro de série no mundo” alimentado por hidrogênio, e acaba de chegar à Europa e aos Estados Unidos. Apesar do preço salgado (mais de 60 mil euros, 66 mil dólares sem os impostos), há demanda. Mas sua fabricação é delicada e é feita a conta-gotas e por isso apenas algumas centenas de modelos vão circular este ano.

Suas vantagens? Zero emissões de CO2 em seu uso e “uma autonomia similar à de um carro com motor a gasolina para um tempo de reabastecimento entre três e cinco minutos”, antecipou a Toyota, que considera este último o grande diferencial com relação aos carros elétricos.

“Os FCV (veículos ‘fuel-cell’) se revelam como os carros ecológicos ideais”, avalia Hisashi Nakai, especialista do departamento de planejamento estratégico do grupo. “O principal problema é o custo, acabamos de começar, isto não se consegue de um dia para o outro”, justifica.

Consultado sobre os temores dos usuários a respeito dos riscos deste gás altamente inflamável, respondeu: o depósito pode resistir a qualquer choque, realizamos centenas de testes. Inclusive se levar disparos (de arma de fogo), não explode”.

Honda e Nissan

A Toyota não está só. A Honda pretende lançar em março seu próprio carro com célula de combustível, o Clarity, que teve pré-estreia no Salão de Tóquio.
A Nissan tem sido inserida pelo governo nesta aventura, apesar das reticências da empresa pela pouca infraestrutura – em todo o Japão, há apenas algumas dezenas de postos de abastecimento especializados.
Os dispositivos de segurança encarecem ainda mais o custo de produção por parte de governo e montadoras, pois eles precisam ser eficazes para evitar vazamento desse gás incolor e inodoro.

*Com Agência France-Presse.