Foram 24 anos de intenso sofrimento e agonia. O torcedor alemão não aguentava mais. Aos pés de Lothar Matthäus, eles viram pela última vez uma geração conquistar o mundo. Dessa vez, coube a outro esquadrão, reverenciado por sua rara habilidade e obediência de jogar futebol soltar o grito de “É campeão”. Bateram na trave em 2002. Chegaram perto em 2006 e 2010. Estava escrito, predestinado. A Copa no Brasil era da Alemanha.

O time germânico ocupa novamente o posto mais alto do planeta bola com todos os ingredientes de um enredo dramático. Se Messi não brilhou como esperava, outro personagem ficará para sempre marcado no título. Mario Gotze. Para os alemães, pareceu que nunca viria. Noventa minutos que viraram 120, ou melhor 113. Até aparecer o baixinho predestinado, que recebeu pela esquerda, sozinho na área, matou no peito e bateu cruzado para escrever história no Maracanã.

Vitória por 1 a 0. Euforia, choro, emoção de um time que mereceu desde o início erguer a taça de campeão. 

Confira as imagens da grande final da Copa do Mundo:

ELETRIZANTE

Argentina e Alemanha protagonizaram um primeiro eletrizante, digno da tradição dos dois gigantes do futebol mundial. 

Bem ao seu estilo, a Alemanha passou a dominar as redeas da partida, com passes precisos e jogadas envolventes. Enquanto isso, a Argentina aproveitava o contra-ataque. Em duas arrancadas pela direita,os hermanos levaram perigo para o gol de Manuel Neuer.

Mas foi Gonzalo Higuaín que perdeu a principal oportunidade da primeira etapa. O centroavante albiceleste ganhou um presentão de Kroos, saiu na cara de Neuer, mas chutou para fora. 

A jogada animou os argentinos, que igualaram a partida. Antes predominantes, os alemães passaram a ter dificuldades com a precisão dos marcadores adversários. Mas nada que desanimou a equipe germânica. Aos 30, em uma proposta ousada, o técnico Joachim Löw sacou o volante Kramer, contudido, para a entrada do atacante Schürrle. 

Confira as fotos da festa de encerramento:

E a mudança quase surte efeito logo aos 36. Após boa jogada pela esquerda, Müller toca para trás e Schürrle chega batendo, para grande defesa de Romero.

Três minutos mais tarde foi a vez da Argentina chegar com perigo. Messi recebeu nas costas da defesa, invadiu a área, e foi travado por Hummels. A bola passou por Neuer, mas Boateng chegou para afastar o perigo. 

Aos 46, foi a vez da Alemanha perder grande oportunidade. Depois de cobrança de escanteio de Kroos, Höwedes ganha no alto e a bola caprichosamente bateu na trave. Thomas Müller aproveitou o rebote, mas estava impedido.

Confira as imagens da grande final da Copa do Mundo:

EQUILÍBRIO

O segundo tempo começou da mesma forma que terminou a primeira etapa. Com a marca do equilíbrio. Mas foi novamente a Argentina que perdeu grande oportunidade, desta vez com Messi. O astro recebeu bola na área, mas bateu cruzado, para fora, em lance que raramente erra.

Desde então, foram poucas as oportunidades de cada lado. Embora envolventes, as duas seleções pecavam no último passe, talvez preocupadas com o futuro que iria por vir. Cada minuto era meramente calculado. Afinal, um gol podia colocar um ponto final no sonho. 

O feito se repetiu na prorrogação, até o gol salvador de Gotze.

Confira a reação da torcida no momento do gol alemão:

 

FICHA TÉCNICA
ALEMANHA 1 X 0 ARGENTINA

Local: estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 13 de julho de 2014, domingo
Horário: 16h (de Brasília)
Árbitro: Nicola Rizzoli (ITA)
Assistentes: Renato Faverani (ITA) e Andrea Stefani (ITA)
Público: 74.738 espectadores
Cartões amarelos: Schweinsteiger e Howedes (Alemanha); Mascherano e Aguero (Argentina)
Gol: Gotze, aos sete minutos do segundo tempo da prorrogação

ALEMANHA: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels e Howedes; Schweinsteiger e Kramer (Schurrle); Muller, Kroos e Ozil (Mertesacker); Klose (Gotze)
Técnico: Joachim Low

ARGENTINA: Romero; Zabaleta, Demichelis, Garay e Rojo; Mascherano, Biglia, Enzo Pérez (Gago) e Messi; Lavezzi (Aguero) e Higuaín (Palacio)
Técnico: Alejandro Sabella