As obras do BRT são as únicas de mobilidade, em Belo Horizonte, planejadas para levar os torcedores ao Mineirão na Copa do Mundo de 2014. Mas o ramal das avenidas Antônio Carlos/Pedro I corre o risco de não ser usado no ano que vem, durante o Mundial.

A possibilidade é real, caso os manifestantes que agora estão tomando as ruas da cidade, tendo como um dos motes os gastos com os megaeventos da Fifa, decidam fechar a Antônio Carlos novamente durante o torneio, como fizeram na Copa das Confederações.

Nos três jogos disputados em BH, em 17, 22 e 26 deste mês, sempre às 16h, os manifestantes fecharam os dois sentidos da avenida, das 14h às 22h, aproximadamente.

O cruzamento da Antônio Carlos com a avenida Abrahão Caram, onde estão sendo construídas duas estações do BRT, virou uma praça de guerra nos três dias. Com isso, a BHTrans foi obrigada a mudar as rotas dos ônibus que levariam os torcedores ao estádio, passando pelo local.

Os coletivos de três terminais da capital (Minas Shopping, bairro Santa Efigênia e Centro) e do terminal do Aeroporto de Confins tiveram que passar por rotas alternativas, como as avenidas Cristiano Machado, Portugal e Catalão. Os ônibus de outros dois terminais (Savassi e Barreiro) já estavam programados para seguir pela Catalão.

Na última quarta-feira, depois do jogo, o terminal da avenida Coronel Dias Bicalho e o da UFMG, próximos à Antônio Carlos, foram desativados. As manifestações na própria Antônio Carlos e no início da Abrahão Caram impossibilitaram o funcionamento deles. Segundo a BHTrans, as modificações eram parte de um plano de contingência.

No dia 22, uma das estações do BRT, ainda em construção, foi parcialmente incendiada.

Funcionamento

A promessa da Prefeitura de Belo Horizonte é concluir todos os ramais de BRT – há ainda os da Cristiano Machado e Área Central – até o fim deste ano e colocá-los em funcionamento no primeiro bimestre de 2014.

O orçamento do ramal da Antônio Carlos/Pedro I é de R$ 586 milhões, de acordo com o Portal da Transparência da Controladoria Geral da União (CGU).
Para o secretário extraordinário da Copa em Minas Gerais, Tiago Lacerda, ainda é muito cedo para pensar em um possível bloqueio à avenida Antonio Carlos durante a Copa 2014.

“Falta muito tempo. Temos de ver que movimento será constituído, quais serão as respostas dos governos federal, estadual e municipal aos protestos”, apontou.

A assessoria de imprensa da BHTrans informou que os planos operacionais para o Mundial ainda não estão consolidados. Hoje, a empresa que gerencia o trânsito na cidade deverá apresentar um balanço das operações durante a Copa das Confederações, período em que cerca de 130 mil pessoas foram ao Mineirão.