LONDRES - Atletas e espectadores fizeram as malas nesta segunda-feira (13) horas depois da espetacular cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos e estavam em todas as partes do aeroporto de Heathrow, enquanto Londres saboreava o triunfo de seus "gloriosos" Jogos, saudados como "perfeitos" pela imprensa.

Dos visitantes que foram a Londres para a Olimpíada, 65% devem deixar a cidade nesta mesma segunda-feira, a maioria via Heathrow, que gastou 25 milhões de euros para estar à altura do evento esportivo.

Um terminal temporário, do tamanho de "três piscinas olímpicas", foi construído para a ocasião. Por lá passarão durante o dia 15.000 membros da "família olímpica", entre eles 6.000 atletas e suas bagagens.

Para deixar um bom sabor final de Londres, os gestores do aeroporto inclusive decoraram o terminal como um parque londrino, com grama, bancos e lanternas, sem esquecer as famosas caixas de correio vermelhas. Para tornar o cenário ainda mais real, os funcionários se vestiram com uniformes de guardas.

No total, 116.000 passageiros devem embarcar em Heathrow neste dia, contra os 95.00O normalmente. O recorde do início dos Jogos (123.000 pessoas no dia 29 de julho) não deve ser batido.

A organização do aeroporto londrino, à beira do colapso em tempos normais, contrariou os pessimistas, que temiam uma paralisia total dos transportes da capital, considerado o tendão de Aquiles dos Jogos.

Na estação St. Pancras, muito utilizada pelos visitantes, um trem Eurostar especial foi colocado à disposição dos passageiros para garantir o retorno dos 550 membros da equipe olímpica da França.

Em meio ao esvaziamento da Vila Olímpica em ritmo acelerado, o país segue desfrutando com euforia o êxito dos esportistas britânicos e dos quinze dias de competição "brilhantes", segundo as palavras do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que situou Londres no "centro do mundo".

A Grã-Bretanha ficou em terceiro lugar no quadro de medalhas geral, atrás de Estados Unidos e China, para delírio dos britânicos. Para muitos londrinos, os Jogos são "o evento mais memorável de toda a sua vida", afirmou o prefeito da cidade, Boris Johnson.

Essa efervescência era vista na rede social Twitter, com mais de 150 milhões de tweets postados nas últimas duas semanas com referências ao evento, que teve o velocista jamaicano Usain Bolt como o principal tema.

As imagens do megaconcerto de encerramento no domingo à noite diante de 80.000 pessoas, com uma homenagem aos 60 anos do pop e do rock inglês, ilustraram todas as capas dos jornais nesta segunda-feira. A imprensa destacou uma "organização sem falhas nos Jogos".

O jornal Guardian saudou "uma história bem-sucedida de duas semanas". "Obrigado, foram verdadeiros fogos de artifício", se entusiasmou o Daily Telegraph, por "duas semanas de espetáculos incríveis que superaram todos os nossos sonhos mais loucos".

"Mas agora é preciso voltar à realidade", advertiu. "Principalmente  na área econômica, porque o governo espera uma grande quantia para suas caixas, mas os Jogos não terão um efeito mágico sobre um país em plena recessão, segundo os especialistas", indicou.

O bastão dos Jogos foi passado oficialmente na noite de domingo para o Brasil, que organizará o próximo evento no Rio de Janeiro em 2016. Mas Londres não se despediu totalmente: em quinze dias, 7.000 atletas e representantes chegarão à capital britânica para disputar os Jogos Paralímpicos, de 29 de agosto a 9 de setembro.

No total, foram vendidos 2,1 milhões de ingressos, contra 1,8 milhão em Pequim-2008. E seus organizadores esperam que o entusiasmo dos Jogos (mais de 7 milhões de espectadores) faça brilhar ainda mais a chama dos Paralímpicos.