Tânia Alves canta em BH na terça-feira (26). Elza Soares, na quarta (27) e na quinta (28). Conselho: garanta o ingressos para conferir a performance das versáteis cariocas donas dessas importantes vozes da MPB. Tânia mostra o show “A Era de Ouro no Rádio”, no Sesc Palladium, às 20 horas.

Já “a diva” mostra “Simplesmente Elza: Uma Vida pela Música”, no Conservatório UFMG, às 20h30 (ingressos a R$ 80 e R$ 40), com o repertório que ela anuncia como sendo: “Surprise!”

Verdade, Elza não se incomoda com surpresas. Seus fãs sabem do que ela é capaz com sua voz. Tudo na base do improviso, habilidade que faz com que seja admirada por devotos do jazz inclusive no exterior. Algum cuidado com as cordas vocais? “Coisa nenhuma. Nada atrapalha a bichinha. É bênção de Deus”, revela a cantora de 74 anos, em tom carinhoso. No dia 28, Elza Soares dá uma palinha na apresentação de JP Silva, seu produtor musical, com show no Alfândega Bar, às 22 horas.

Nem mesmo uma cirurgia recente de coluna a derruba. Outra coisa da qual teve que abrir mão foi dos salto de 15 centímetros de altura que dominava sob rebolados frenéticos. “Agora não pode mais. Estou fazendo o tipo menininha, usando botinhas. Mas não é por falta de salto que vou deixar de cantar”.

O título de “diva” ela diz que existe mesmo, mas não se mostra envaidecida com a alcunha. “Sou normal. Sou aquela que sorri, que chora. O importante é respeitar para ser respeitado e amar, para ser amado”.

Segredo de estado

Mesmo sem abrir o jogo com o repertório, Elza adianta que serão músicas que gosta de ouvir e “de brincar”. Aí, entra tudo de samba (seu lugar preferido) às canções de amor. Uma possibilidade, segundo a produção, é que o repertório traga canções como “Meu Guri” (escute abaixo), “Espumas ao Vento”, “As Rosas Não Falam” e “Flor e Espinho”. Então, deixe a ansiedade de lado por que, do resto, “a diva” cuida.
 



Elza soube que a colega Tânia Alves se apresentaria na cidade um dia antes. “Taninha tem uma voz maravilhosa. E um spa maravilhoso também”, comenta, sobre o empreendimento Spa Maria Bonita, no Rio de Janeiro, do qual a também atriz é uma das sócias.

Era de ouro

Empresária, cantora, voz reconhecida por fãs da dança de salão por conta dos boleros que inclui no repertório, Tânia também entra na fila dos fãs de Elza que a definem como “diva” da MPB.

Na apresentação de terça, às 20h, no Sesc Palladium (abertura a cargo do cantor Antonio Bahense, e ingressos a R$ 50 e R$ 25), a atriz/cantora mostra ainda mais versatilidade ao apostar em canções eternizadas pelos grandes nomes do rádio nos anos 1950. Emilinha Borba, Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Cauby Peixoto, entre outros nomes que marcaram a chamada “Era de Ouro” do rádio brasileiro.

Aos 5 anos, cantando a “dor de cotovelo”

Atriz de destaque em veículos como cinema e teatro, Tânia Alves também cunhou uma bela trajetória na telinha, onde deu vida a personagens históricos como Maria Bonita – de onde a mãe da atriz Gabriela Alves tirou inspiração para batizar seu empreendimento.

Mas é no palco que ela coloca em prática os ensinamentos transmitidos pelo genitor. “Meu pai me ensinou a tocar violão com essas músicas”, diz, referindo-se às composições que estarão no roteiro, como “Caminhemos”, de Herivelto Martins; “Escandalosa”, de Emilinha Borba, e “Ninguém é de Ninguém” de Cauby Peixoto.

Mas se é para voltar às memórias de família, a artista lembra que sua mãe ficava simplesmente “horrorizada” ao ver uma garotinha cantando músicas fortes sobre dor de cotovelo. Um universo que seria naturalmente estranho a uma criança de apenas cinco anos de idade, ou pouco mais. Mesmo assim, Tânia promete que a apresentação em BH começa de um jeito intimista, mas termina em alto astral, quando interpreta marchinhas de carnaval também típicas da “era de ouro”. Versatilidade é isso aí.