Nenhum outro assunto foi tão comentado nesta terça-feira (12), nos corredores da Bienal, onde até o próximo sábado acontece maratona de 32 desfiles da São Paulo Fashion Week, como o retorno de Ronaldo Fraga à passarela do evento. O estilista mineiro fechou o segundo dia da semana de moda paulistana não decepcionando sua plateia, que lotou a sala 1 para assistir a coleção “Turista Aprendiz na Terra do Grão-Pará”.

 
Na passarela com piso em madeira, rodeada de palmeiras, samambaias, costela de adão, entre tantas outras plantas, Fraga homenageou o Pará. lugar, que segundo ele, se revelou como a terra do superlativo, onde ao procurar o feio e o belo encontramos o tenebroso e o maravilhoso.
 
Bastou a primeira modelo entrar na passarela para entender todo o universo da coleção. Como na literatura contada em prosa por Mario de Andrade em Macunaíma ou Turista Aprendiz, o Pará foi retratado pelo estilista contador de histórias.
 
Do lugar que guarda a beleza da fauna e flora, Fraga estampou vitória-régia, revoada de guará e veios de madeira. Diferentemente de outras coleções, ele explorou a estamparia (muito colorida e cheia de grafismos) como se fosse textura cobrindo a roupa. Daí, vestidos longos com desenhos e bordados que mais parecem fissuras de madeiras, refrescantes blusas de tecido plano com estampa de tecla de piano imitando técnica de marchetaria, além de diáfanos caftans em transparência de tule e bordado de flores.
 
Novidade no desfile, as biojoias desenvolvidas pelo estilista junto com um grupo de designers da cidade de Tucumã. Colares em penca, pulseiras, braceletes e cintos emprestaram clima étnico à coleção. Até o tecnobrega paraense não foi deixado de lado. Ganhou homenagem na passarela, com trilha regada a Gaby Amarantos, que conferiu o desfile junto com Fernanda Takai.