Os 38 milímetros de água que caíram na tarde de segunda-feira sobre Belo Horizonte, uma cidade castigada há semanas pelo calor, deram prejuízos a moradores, mas nem de longe amenizam o problema da escassez de água que ameaça o fornecimento de energia elétrica no país e desperta o fantasma do racionamento e dos apagões.

Pode-se dizer que a chuva está caindo no lugar e no momento errados. Choveu muito na região litorânea do Rio de Janeiro, nos últimos dias, provocando inundações, mas sem contribuir em nada para recompor os reservatórios das hidrelétricas que estão hoje mais baixos que em 2001, ano dos apagões. E quase não tem chovido em Minas e em outros estados considerados a “caixa d’água” do Brasil, por formarem as bacias dos rios São Francisco, Paranaíba e Paraná, onde se localizam as principais hidrelétricas.

Como afirmamos aqui no último domingo, o governo não tomou qualquer providência para enfrentar o problema da escassez de chuvas. E agora se sabe que ele havia sido alertado para o risco. Segundo a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia, dez entidades do setor enviaram carta a Dilma Rousseff em maio de 2012, alertando para os riscos no setor elétrico, mas nada foi feito. Mas, finalmente, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, convocou para hoje reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, “para ver onde o governo pode ter falhado e que providências devem ser tomadas”.

O problema não se limita à escassez de água e ao custo elevado da geração pelas termoelétricas. Pode haver também falta de combustível para essas usinas. Há informações de queda de produção por falta de gás natural e de preocupação sobre a possibilidade de racionamento para indústrias de vários setores que utilizam esse combustível.

Quanto à chuva em Belo Horizonte: a prefeitura precisa enfrentar o problema recorrente de inundações, como as desta semana, com mais competência. No mínimo, deveria ter cuidado com mais presteza do desentupimento das bocas de lobo. Marcio Lacerda faria bem em verificar se estão corretas as informações que lhe são transmitidas, a esse respeito, pela Superintendência de Limpeza Urbana. Que sejam mais confiáveis do que a informação dada a um cidadão comum que solicitou o serviço e que, não atendido, reclamou à Ouvidoria do município. Uma autarquia até consegue enganar ao auditor, mas não a todo cidadão o tempo todo. O prefeito precisa ser bem informado.